Como a 1ª primeira alta da Selic, depois de 6 anos, pode influenciar seu financiamento imobiliário

Por Thiago Bezerra

Publicado em Economia e negócios | 06/04/2021

Antes de adentrar diretamente no tema, seria importante explicar o que é a taxa Selic, quem define, de quanto em quanto pode ser alterada, qual a sua tolerância e o seu histórico dos últimos anos.

 Em primeiro lugar, a sigla Selic pode ser definida como Sistema Especial de Liquidação e Custódia e é uma taxa básica de juros utilizada pelos bancos, administradoras de cartões e instituições financeiras servindo de base para calcular os juros que serão cobrados nas diferentes modalidades de crédito.

O Banco Central do Brasil tem a função de definir a Selic, a cada 45 dias, com o objetivo de cumprir a meta para a inflação (a título de curiosidade, a meta de 2020 é de 4,00%, a de 2021 de 3,75%, a de 2022 de 3,5% e a de 2023 de 3,25%).

Além disso, o sistema prevê ainda um intervalo de tolerância de 1,50%, para cima ou para baixo e caso, no final do ano, a inflação se situe fora do intervalo de tolerância, o presidente do Banco Central tem de divulgar publicamente as razões do descumprimento, as providências que serão tomadas para o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo esperado para que as medidas produzam efeitos.

 Então, o  Comitê de Política Monetária (Copom), um órgão do Banco Central, formado pelo seu presidente e diretores, se reúnem e tomam a decisão com base na avaliação do cenário macroeconômico e os principais riscos a ele associados, tendo direito a voto todos os membros e em seguida elaboram uma ata com o intuito de divulgar para o mercado quais são as perspectivas para as próximas reuniões.

Por ano, são oito reuniões, esse ano ainda restam mais seis reuniões.

Agora que você já entendeu o que é a Taxa Selic, quem pode modificar, qual a periodicidade e tolerância, vamos tratar diretamente dos impactos da taxa no seu financiamento imobiliário, pois a Selic anda lado a lado com a taxa do seu financiamento habitacional e, esse aumento de 0,75% além da perspectiva de aumento para até 5% ao final desse ano, pode ter algumas mudanças nos valores dos financiamentos.

Na prática, quando o Banco Central decide aumentar os índices da Selic acaba acontecendo o aumento dos juros nos financiamentos. Por outro lado, quando as taxas da Selic estão mais baixas, as condições passam a ser mais vantajosas para o consumidor

Insta observar que a última vez que a Selic foi reajustada foi em julho de 2015, quando passou de 13,75% para 14,25%, ou seja, um aumento de 0,5%. Contudo, a Selic não é o único elemento a ser considerado nos financiamentos imobiliários, isso porque as instituições bancárias utilizam esse índice juntamente com outros parâmetros para calcular quanto irá cobrar de juros.

 Ocorre que na prática quando o Banco Central decide aumentar os índices da Selic acaba acontecendo o aumento dos juros nos financiamentos, por outro lado, quando as taxas da Selic estão mais baixas, as condições passam a ser mais vantajosas para o consumidor e atualmente, a taxa Selic é a mais baixa dos últimos 25 anos, ou seja, as condições ainda continuam bastante favoráveis para os financiamentos imobiliários.

A própria Associação das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) confirmou um aumento de 83% no número de financiamentos imobiliários quando comparado com os dois primeiros meses do ano passado.

 Para os cozinheiros de plantão, é muito interessante a comparação da Selic com o fermento do bolo, pois o fermento é essencial para o bolo crescer, contudo, existem outros elementos que irão contribuir para a finalização da iguaria.

Por fim, esse primeiro reajuste da Selic depois de seis anos não deve trazer mudanças consideráveis nas taxas de financiamento imobiliários, mas é importante acompanhar as próximas reuniões do Copom, pois como a tendência é de continuar sendo reajustada, aí sim poderemos ter alterações significativas.

Thiago Bezerra

Thiago Bezerra

Thiago Bezerra é advogado especializado no setor imobiliário

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